“Bark”: Uma Ode À Ruptura Que Nos Liberta
Se segunda-feira é o dia do reinício, marcado pela carga da rotina e a sensação de que o tempo se arrasta, quinta-feira traz consigo uma leveza diferente. Entre o início da semana e o fim de semana iminente, quinta é uma espécie de pseudo alívio. Se na página anterior falava sobre a luta de voltar à engrenagem, nesta vamos explorar o momento em que as engrenagens começam a girar de forma mais suave. – ou não! Que nós até somos “da pesada”!
Segunda é sobre resistência, sobre a sobrevivência ao retorno da rotina; quinta, por outro lado, é o limiar da liberdade. Assim como estes dois dias, estes textos também se complementam: a tensão de segunda prepara o terreno para a sensação de libertação de quinta. É o ciclo da vida moderna — oscilar entre o dever e o prazer, a rotina e a liberdade, onde resistimos para depois aproveitar.
Desafiei o meu querido amigo André Carrilho para voltarmos ao Musicbox, desta vez ele mais equilibrado nos clicks e pouco menos nos gluglus do que eu.
No palco, a energia dos Bad Tomato é palpável!
São como uma fusão de ritmos enérgicos que reverberam como uma onda a quebrar o silêncio da vida rotineira. Na estreia do EP BARK, cada nota nos transporta para um lugar onde a dança é mais do que movimento — é libertação.
Captam as tensões do presente — sentir-se preso num mundo que não para, onde a desconexão dos outros é quase inevitável. Os riffs nostálgicos e os ritmos frenéticos transformam essa inquietude em celebração, um grito para quebrar a monotonia, para nos reconectar. Quando exploramos música ao vivo, especialmente a energia de uma banda como Bad Tomato, oferece uma oportunidade para desligar do “piloto automático” e imergir numa experiência onde o corpo e a mente são estimulados de forma diferente do habitual. É um momento para desligar das obrigações e do fluxo constante de informações que nos bombardeiam e conectar com outras pessoas que estão ali pelo mesmo motivo, criar um sentido de comunidade e pertença.
A química entre Manuel, Jantonio e Miguel transcende a música, e agora Simon, no baixo? – Aprovamos a ideia!
A estrela visual do single Body Bag, não deixou ninguém indiferente a sua presença em palco que nos captou a todes pelo seu skill nato para a coisa. Há sem dúvida uma sinergia entre cada elemento e é refletido em todas as áreas em que operam. A natureza cinematográfica e performática de Bad Tomato transforma o evento num espaço de arte imersiva, onde se pode refletir e, ao mesmo tempo, abraçar a alegria da expressão pura.
Para quem não os conhece, tocam uma fusão entre grooves urbanos e a energia crua do pós-punk, criando uma sonoridade que ao mesmo tempo convida o público a dançar e a refletir. Exploram uma combinação de beats eletrónicos e influências de rock alternativo, com fortes referências ao meu tão amado indie rock dos anos 2000. Esta mistura de estilos resulta numa experiência dinâmica, cheia de ritmos intensos e riffs nostálgicos de uma era menos acelerada/mais Gallagher, igualmente inquieta. E deram ainda, umas voltinhas pela Europa, como banda de abertura dos 20 anos de Blood Red Shoes.
Mas a noite não se ficou por aqui…
Depois de um arranque estrondoso, seguiram-se os Them Flying Monkeys. Conhecidos pelo seu alternativo, os abreviados TFM são uma banda que, tal como o Bad Tomato, navega pelo território da exploração sonora, mesclando influências do indie rock com elementos etéreos e psicadélicos. Dispensam de grandes apresentações, a história é mesma, não me calo e tocam em loop nos meus aposentos. Vá, salvo seja, gosto muito de os ouvir nos meus headphones e fora deles, em qualquer lado, a qualquer hora. Aproveitem para os apanhar de norte a sul, eles não param e nós também não. Lembrem-se, nunca é demais!
Já a química entre as duas bandas não é apenas musical, mas simbólica. Ambas exploram a noção de libertação, de sair das rotinas monótonas, e isso não só se revive, como se sente. A fusão entre as bandas é quase como um diálogo: onde os Flying Monkeys criam paisagens sonoras oníricas e introspectivas, os Bad Tomato respondem com a força crua dos ritmos urbanos e a energia pós-punk que eletriza a multidão.
Ambos têm em comum o desejo por quebrar barreiras, levam o publico a refletir sobre as suas próprias vidas e o mundo acelerado em que vivemos. Em conjunto, criaram uma noite de comunhão musical que desafiou os limites do que significa estar verdadeiramente presente, tanto no palco quanto na bomba relógio que é vida.
Assim como esta noite nos lembra que não há tempo a perder e a música é a nossa voz, sinto orgulho em ver artistas como estes a desbravar caminhos, levando consigo a essência da cultura. A música é a arma com a qual lutamos por um mundo mais justo, por um espaço onde possamos expressar quem somos e o que sentimos. – “FUCK YOUR AVOCADO!”
O momento em que o EP BARK chegou às plataformas digitais foi quase sincronizado com o último acorde, permitindo-nos capturar aquela energia para sempre. E com o segundo EP a caminho, Bad Tomato continua a tecer uma narrativa honesta, que ressoa com todos nós: somos adultos, sim, mas o tempo para viver ainda pulsa.
Com o primeiro trabalho cá fora e o segundo a caminho, Bad Tomato segue firme, construindo uma narrativa honesta e atual. A evolução de um projeto que cresce a cada passo, tanto nos palcos como fora deles, a mensagem é clara: somos crescidos, mas ainda temos tempo para viver.
Estejam atentes, e parem de ser brats!
Quanto a mim, vou continuar com a rotação constante entre uma banda e outra, se quiserem mandem música nova.
Até já!













































