Fotogaleria Vilar de Mouros 2025 – 4º Dia
O concerto dos Da Weasel foi o grande momento do último dia, deu-se um espetáculo que conseguiu unir gerações e mostrar como a música pode ser ponte entre públicos diferentes. Ainda assim, fica a sensação de que o sábado já não tem o peso de outros tempos. Em anos passados, este era o dia que esgotava bilhetes diários e passes gerais; este ano, assim como no anterior, não foi assim. Para quem prefere mais espaço, é ótimo, mas para a organização levanta questões sobre sustentabilidade económica e que nos fazem repensar o futuro do mais antigo festival do país.
Da Weasel
Os Da Weasel subiram ao palco já depois da meia-noite e estenderam-se até às 2h33, muito além do que esperávamos desta ‘doninha’ que regressou aos palcos em 2022. O concerto funcionou como verdadeiro unificador de gerações: os temas mais old school soaram crus, cheios de um poder que foi sempre quase rock’n’roll e não apenas rap, enquanto as músicas mais recentes trouxeram a faceta pop que abre caminho a um público mais vasto. Talvez por isso mesmo, este tenha sido dos concertos mais sólidos desde o regresso da banda: menos preso a uma falta de energia que tantas vezes se lhes apontou e com um público visivelmente mais entregue. Não foi irrepreensível, mas foi, sem dúvida, o mais convincente desta fase pós-regresso.
I Prevail
Os I Prevail começaram a andar na estrada em 2013, pelo que já trazem mais de uma década de carreira nas costas. No concerto, ficou claro que os temas mais antigos continuam a ter um poder e uma intensidade muito mais contundentes — aquelas explosões de energia que nos agarravam ao chão. No que diz respeito aos estilos, misturam metalcore, post-hardcore, hard rock, nu-metal, até nuances de rap metal e pop-punk, com pitadas de eletrónica, trap e hip-hop.
O novo álbum, chamado Violent Nature, está previsto para 19 de setembro e, pelo que se ouve, vem com uma sonoridade mais leve — mais melódica e menos agressiva — e isso deixou-nos sentimentos ambivalentes. É um revivalismo melódico que, por um lado, mostra evolução, mas, por outro, não convenceu tanto como esperavam. Houve admiração, claro, mas também aquela sensação dividida — como se parte da alma intensa dos primeiros tempos tivesse perdido fôlego neste novo capítulo.
The Ting Tings
Os The Ting Tings já não são os mesmos, mas são uma excelente bandas para entreter entre grandes concertos (e foi para isso que serviram em Vilar). Regressaram a Portugal com um novo álbum, Home (2025), e uma sonoridade que surpreende negativamente pela suavidade. Abandonaram a energia dançante e o estilo indie pop para abraçar influências de folk, soft rock e até blues. E embora tenha sido uma performance bem executada e dançável, a nova direção musical, mais introspetiva e menos energética, deixou uma sensação de nostalgia por tempos mais ousados e inovadores…
Stereo MCs
Os Stereo MCs trouxeram a Vilar de Mouros a sua mescla inconfundível de hip-hop alternativo, acid jazz, trip-hop e batidas com ecos de dance e eletrónica que soam tão frescas hoje como nos anos 90. O concerto foi um dos mais dançáveis de todo o festival, irresistível na forma como pôs o público a mexer. Só pecou pela hora: ainda com o sol a raiar, ficou a sensação de que teria sido a escolha perfeita para fechar a noite, quando esta energia contagiante poderia ter explodido com todo o seu potencial.
Cavaliers of Fun
Os Cavaliers of Fun são uma banda portuguesa, originária de Lisboa, que desde 2012 vem explorando sonoridades entre electropop, ambient e space rock. Apesar de apresentarem um concerto sólido e atmosfericamente interessante, ficaram malogrados como banda de abertura do último dia, num horário que nunca atrai muito público. O seu som, mais introspetivo e experimental, sofreu com a escolha do slot e acabou por não conseguir criar o impacto que seria necessário para arrancar o festival.
Garantem-nos que Vilar de Mouros terá sempre futuro — e acreditamos nisso. Mas, depois desta edição, é impossível não ficar com uma cautela natural e a vontade de perceber como este festival continuará a reinventar-se ou não para manter viva a chama que o distingue…
Texto: Ana Duarte
Fotografia: Bruno Ferreira
